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  • Foto do escritorLauro Criativa

Pense Ipitanga

Atualizado: 22 de jan. de 2023



Êba! Ipitanga. Eba!


Santo Amaro de Ipitanga

foi saqueada.

Lhe levaram até o nome.


Mas resiste no peito

dos que se sentem nativos

e a trazem amada!


No entanto o saque continua...

Um retrato em preto-e-branco

de um Brasil desbotado

pela miséria administrada.


Orquestra de vampiros infames

que nos tira a alma

e nos deixa coisa, animal.


Ferramentas a serviço

das demandas milionárias

de além mar,

do sonho americano,

do capital.


Mas o que é Ipitanga?

É a rua?

O riu?

O mar?

A terra?

Digas tu?

Digas Tu?

Digas Tu?

O que é Ipitanta?

O que é Ipitanga?

O que é Ipitanaga?


Não temos identidade!


Impõem a nós

uma educação para

produção do que?

De lucros para os que

habitam os paraísos de acolá?

que nos deixam as

migalhas que justificam

a escrota desigualdade

social que nos separa?


A insana corrupção

que faz de marionete

os chatos

a penduricar os sacos

dos opressores?

E nem sequer resvala!


Me assombra!

À sombra lealdade.


E tudo é importante:

O politicamente correto

As apropriações culturais

Discussões para horrorizar o tédio

Ter a prole por esperto

Restem currais, currais, currais!!!


Deixemos os povos dizimados

apartados de sua cultura...

clamor e dor...

nada podem reclamar...

desterrados cada vez mais,

empurrados pra miséria dos vinténs.

Horror!


Os navios negreiros se apagaram

pelos idos interesses

mas não cessou o clamor.

Não cessou a dor.

Reverberam também em navios outros.

Navios cargueiros

a rasgar os oceanos

levando nosso suor,

Iates disfarçados

pelas plagas financeiras

a deixar-nos apartados

da fartura nativa,

da abundância que nos cerca.


Seguimos distraídos.

Tão bom uma distração.

Isso cansa tanto!


Peça o pão,

aceite o circo.

E vai passando.


Os arroubos da juventude

sucumbem ao anoitecer burocrático,

consumindo o que dantes combatia...

Porque é assim mesmo.

Porque é assim mesmo!

Porque é assim mesmo?


Parece que bala em pobre

nunca é perdida.

Miseráveis bandidos disfarçados.

Porque massacras

tanto teu irmão?

Porque das frutas estragadas

cobradas nas gôndolas?

Porque tua fome não tem fim?

Porque tu escondes o saber?


Me bastaria um aipim,

minha lição e

alegria de viver!

Mas sem lição

a miséria prolifera,

a enxada nos espera,

o peso nas costas

pra toda vida,

a sentença,

a bebida.

Dai-me um aipim!


Talvez um púlpito

seja um resgate

ao preço certo.

Quem sabe?!

Meu amigo não se engane.

Quais mãos estão limpas?


Mas criou-se Deus

que então

nos enviou Jesus:

- quem não pecou

que atire a

primeira pedra.


Mas quem não pecou

nunca que vai atirar uma pedra.

Este está além.

É o Santo.


Bem aventurados

todos aqueles

vítimas da miséria...

do desgoverno...

dos colonizadores.


Todos escravizados...

pagam suas contas

para seus carrascos sorridentes.

Mas pelo menos

são bem aventurados!


Nossos metais,

nossa energia,

nossos grãos,

nossa água,

nosso verde,

nosso sangue...

tudo daqui,

pra ser daqui,

mas é tudo deles.


E tome chibatadas...


Ainda temos que pagar...

a conta nunca acaba...

misteriosas chibatadas...


É nós!!!

nossos irmãos

outros escravizados

também!!!


E tome mais chibatadas!!!


Eis que surge a patética blasfêmia hipócrita

Da inocência desmedida dos dementes

E do cachimbo, trago, cuspo, espio a morte

Aos furtos corpos brutos, dormentes


Louvores de cantares tardios


Oh! Santo Amaro...

Intercedei por nós...

povo do Ipitanga!



Amem!


Autor: Peri Rudá








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