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As asas da Cultura

Atualizado: 21 de mai. de 2021




A cultura, essa nossa amiga, é uma porta aberta para o desconhecido, um convite irresistível para aventuras sem fim, pois que, sem apresentar-se, chega devagarinho, sedutora e sem receios, exibe sutilmente seus complexos elementos, travestidos de beleza e simplicidade. Visando mostrar os caminhos que nos conduzirão a surpresas agradáveis e explorações que aumentam nossas forças, revigoram nossas resistências e, não satisfeitas, vasculham-nos profundamente, revolvendo conhecimentos e provocando experiências de ancestralidade que, afirmando-se em posturas de reconhecimentos, traz sabedoria e provoca sensações de identidade, amor e liberdade.


Como “Alice no país das maravilhas”, ela cria em torno de si, todo um imaginário coletivo, recria e dinamiza comportamentos, celebrações, crenças, pensamentos e, ao ritualizar a vida, propõe formas alternativas de ações que rompem com perspectivas manipuladoras e possibilitam transformações horizontalizadas no núcleo daqueles que compõem o popular. Esse fluxo contínuo e permanente, naturalizado socialmente, é o produto coletivo da vida das pessoas que criam, expressam, cantam, dançam, comem, ritualizam e, dão asas à imaginação. Eis aqui, a dinâmica desse povo, seu estilo, sua vida e sua arte; o sagrado e o profano, a existência, a coexistência e suas viagens maravilhosas.



Posicionar-se conscientemente, livre das amarras, limitações e imposições de uma cultura dominante, parece ter sido a postura política ao longo dos séculos, daqueles indivíduos, alvos da dominação dos corpos, das mentes e das almas que, despossuídos de todas as condições sociais vigentes, tinham como armas a sabedoria ancestral e uma cosmovisão necessária às limitações cruéis dos mandatários do poder. As asas da imaginação constituíam subterfúgios fundamentais, pois de forma mágica, ajudou a transformar as dores e os lamentos em músicas pungentes e contos cheios de ilustrações e beleza que nos enriquecem e gratificam. Apesar da tragicidade temos a lições nos orientam e as asas que nos transportam.


Airton Santos

Bacharel em História com mestrado em finanças. Morador de Ipitanga.


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